Brisa Moura na Ilha do Retiro
Retorno a esta tentativa fúnebre de me manter ativo e pensamente, para que assim, as doenças de alzheimer não possam me atingir tão fortemente nos próximos anos. Além disso, corro em uma tentiva de regurjitar tudo aquilo que li e vi nos últimos tempos. Agraciado com o fim do período letivo, a docência pode me permitir algum tempo livro durante as tals chamadas férias escolares, e com às, me permiti assistir uma obra na calada da noite em meu telefone. O filme "A Noite do Espantalho", um filme musical cordelístico de Sérgio Ricardo - aquele mesmo que ficara famoso pelas trilhas sonoras das obras de Glauber Rocha - do ano de 1974 me arrebatou como uma flecha, ou talvez como uma peixeira esvoaçante para os mais místicos.
Nesta obra, que fora escolhida como nosso representante para o Oscar de filme estrangeiro do ano não obteve grande sucesso na mídia tradicional, e não venho aqui discutir a obra e as temáticas e sub-temáticas em si neste meu distante, conteudista e enfadonho texto. A parte que me preocupa e que me chamou a atenção na obra fora a estética envolta de todo o cenário, que mesmo que as vestimentas, os sotaques e a pasaigem possam parecer repetitivos para um brasileiro em 2025, onde estamos acostumado e já de "saco cheio" de se escutar sobre a seca do sertão e de todo sofrimento do nordestino (onde grande parte das vezes é interpretado por um sudestino com um sotaque extremamente caricato), ainda carregam alguma lição importante para alguns músculos vivos da sociedade brasileira, e como de costume quero discuti-lo dentro da prática do esporte bretão, mas antes disso, um pequeno recap para completar embasamento do o quê quero discutir.
A Eztetyka Da Fome já acabou. Seria chacota - eu, em plena contemporaniedade querer discutir um passado já morto, um debate quase-finalizado e dominado pelas elites - o que me resta é determinar o poder da estética na realidade e a influência de tudo ao redor da realidade. Em Marcuse, a dimensão estética é um componente essencial para o processo revolucionário quer da consciência, quer do comportamento dos indivíduos, sendo capaz de transformar o o afã em trabalho lúdico - uma força trascendente - observa-se então, na forma estética que é possível surgir a oposição a realidade estabelecida, através da catarse reconciliadora da arte. O artista é capacitado de um potencial subserviso que os marxistas ortodoxos, presos no debate de superestrutura e materialismo determinista esqueceram. A experiência proporcionada pela obra de arte expressa uma necessidade da revolução, sendo necessário quebrar as teorias rígidas da materialidade e do realismo para analisar as relações sociais e políticas.
Mas meu caro amigo Afonsinho (obrigado Gilberto Gil pela homenagem), qual a conexão do significado e da defesa de uma educação da estética com o nosso querido futebol, para isso preciso retornar ao filme e à calada noite de segunda (14/07). Primeiro, me recordo das sensações de assistir a obra cinematográfica e estar encantado com o violão exposto nas cantoria de Alçeu Valença, posterior, me dediquei a olhar as vestimentas de cada, e a questão da identificação do que eu estava vendo se tornava cada vez mais claro. A influência moura no cangaço é explícita e é bela. Não são apenas nas estrelas de oito pontas, adotadas no cangaço por influência islâmica pelos mestres coureiros que se observa. Está no canto, na voz e no violão, as tradições remontam a Al-Andalus e aos povos seguidores de Maomé (infelizmente alguns seguidores de Aisha e Abu Bakr, mais isso é discussão para outro dia).
Corisco (Diabo Loiro) e a estrela de 8 pontas no seu chapéu
Esta impressão que tive ao ver o filme foi arrebatadora, não parava de pensar nela e estava me corroendo não poder esbravejar o mundo que o sertão é um pedaço muçulmano no Brasil sem que os olhos de carnvel vil da sociedade desta minha capital fossem me julgar, principalmente em meio a guerras da mídia novamente tentando difamar o Oriente Médio como um todo. Mas eu achei uma forma de poder me expressar, e foi vendo a DESASTROSA campanha e partida do Sport Clube do Recife frente ao Juventude, já não tendo mais palavras para declarar fronte não apenas a falta de técnica, mas ao azar que dispôe a equipe pernambucana. Enquanto via o jogo, repensava nas cenas do filme, um Coronel maluco cedendo aos interesses do Dragão da Maldade, cercado por pistoleiros que opromiam os pobres moradores que anseavam pela volta da chuva e de um salvador, nisto eu vi todas as respostas para a calamidade vivida na Ilha do Retiro. A solução não é mais tática, é estética, é espiritual e é islâmica.
À escolha de Sérgio Ricardo para as gravações das cenas, fora a cidade de Nova Jerusálem. Patrimônio cultural e religioso que se transforma em um gigantesco teatro ao ar livre para grandes reenscenações bíblicas pelos artistas da região, neste primeiro fato reside a pista para a resposta final. Não existe lugar melhor que Pernambuco para refletirmos sobre a construção do Brasil. Pelas Capitanias Hereditárias e pelos novos judeus que instauramos as primeiras formas de colonização em nosso Pindorama, e o Sport se viu em uma "boca de sinuca" bem clara atualmente, incapaz de transgredir o caráter colonialista e retrográdo das primeiras invasões, se mantem refém da dominação judaica-lusitana (ou holandesa). A ideologia da elite canavieira vigente proibiu nosso querido Leão da Ilha de se conectar com o mais efuso sentimento do torcedor rubro-negro, seu passado pecuarista.
Dentro das tradições da pecuárias que observamos a correlação sertão e o deserto do Marrocos. O "canavieirismo cultural" pde ser declarada como denominação correta por esta singela ideologia de retomada do passado colonial, uma pequena garra da dominação elitista e opressora que não "larga mão" das terras de Luiz Gongaza e Chico Science, refiro-me à elite que perpetua a monocultura simbólica: assim como canaviais sufocam a biodiversidade, essa mentalidade extingue a pluralidade estética rubro-negra em favor de um pragmatismo estéril. São nas eleições fajutas entre primos para prefeitura, estruturas econômicas voltadas para financiamento e construção de São Paulo e Rio que se dedica olhar quando nos tratamos de entender como a Estrela de Davi pode influenciar o campo físico da vida, mas nele, reside um pequeno detalhe de semelhança pouco falado. Antonio Oliveira e Daniel Paulista, são representantes escondidos do canavieirismo cultural, dois representantes do bloqueio da estética e da arte rubro-negra dentro dos gramados. Impelidos pela ideologia dos novos judeus e da dominação do mais forte para o mais fraco tendem a destruir tudo aquilo que é essencial e intrínseco para o Sport.
Afunilando seu destino e prosseguindo com os represantes de uma arte conservadora, portuguesa e paulistana fez do manifesto uma realidade auto-realizável. A morte (momentânea) do Sport vai caminhando a ser pior que a de Zé Tulão, não apenas em vão, mas de forma humilhante (possibilidade de fazer a pior campanha dos pontos corridos). Mas retomando Marcuse, a resposta da revolução está dentro do clube e de sua identidade, o potencial de subverter a relação de humilhação entá contida na dimensão estética, na arte e na representatividade. Não atoa, o mascote da principal torcida organizada do Sport é o Lampião. É o cangaço, mas não um simples sertão "bandidista". É necessário um sertanejo com explícitas características mouras, pois em momentos duros, é necessários tomadas de decisões mais intensas, é preciso se agarrar naquilo de mais íntimo e genealógico na fundação das terras brasilis.
Afunilando seu destino e prosseguindo com os represantes de uma arte conservadora, portuguesa e paulistana fez do manifesto uma realidade auto-realizável. A morte (momentânea) do Sport vai caminhando a ser pior que a de Zé Tulão, não apenas em vão, mas de forma humilhante (possibilidade de fazer a pior campanha dos pontos corridos). Mas retomando Marcuse, a resposta da revolução está dentro do clube e de sua identidade, o potencial de subverter a relação de humilhação entá contida na dimensão estética, na arte e na representatividade. Não atoa, o mascote da principal torcida organizada do Sport é o Lampião. É o cangaço, mas não um simples sertão "bandidista". É necessário um sertanejo com explícitas características mouras, pois em momentos duros, é necessários tomadas de decisões mais intensas, é preciso se agarrar naquilo de mais íntimo e genealógico na fundação das terras brasilis.
É nesta encruzilhada do sertão com o mudejár (designação dos muçulmanos ibéricos que permaneceram em território conquistado pelos cristãos pós Reconquista) que reside minha aposta revolucionária na dimensão estética. Neiva (2017), concede-nos a benção de imaginar para dentro das 4 linhas a realização metafísica no esporte. São nos padrões do couro que se observa aquilo que eu anseio inicialmente:
"A ambiguidade, porém, não desfaz da simetria buscada pelo desenho de couro em geral. Pelo inverso, a ambiguidade entre fundo e figura em parte depende dessa simetria. O efeito maior de simetria, no conjunto, é conseguida em rebatimentos (espelhamentos) de trechos da composição. A simetria é rígida, não faz diagonais (ou “saltos”; “passos”, que implica num deslocamento da figura rebatida para cima ou para baixo, sucessivamente ao longo da superfície: o mais conhecido exemplo é o da estampa de bolinhas) como na arte árabe-mudejar. " (Neiva, 2017, p. 153).
Para os entendores este pequeno parágrafo já diz tudo, mas como este é um texto expositivo, me vejo obrigado a explicar a fundamentação de minhas ideias. O caminho rubro negro se observa na simetria de jogadas trabalhadas, sem pragamatismo mono-funcional barato, é preciso coordenação espontãnea, a simetria de laterais de ataques na área. A pouca diagonalização - negação do futebol diagonal de Flávio Costa - implica um jogo feroz, com marcações coladas no um contra um, um entendimento de jogador com jogador, uma conexão que só é observada após algumas sessões de rodas de Sama em tariqas sufistas (minha segunda recomendação para os jogadores é participar de uma, se possível).
Agora adiante, seguindo o papel da arte, além da arte da formação tática de guerra dos 11 jogadores, é preciso entender que a vestimenta utilizada vai além das vendas nas prateleiras. É conexão torcedor e jogador. Imaginem o manto rubro-negro adornado com padrões geométricos da azulejaria mourisca, hinos inspirados nas cantorias de viola e o próprio Lampião - não como bandido, mas como Sheikh do Sertão, liderando uma revolução tática tão ousada quanto um ataque de cangaceiros
Finalizo dizendo, que nem sempre as respostas são claras, o troca-troca de jogadores, as mudanças constantes de técnicos com abordagens distintas, são impedidas de gerarem efeito devido a clara incapacidade admistrativa esportiva de quem administra o clube, mas proponho ir além, existe algo maior de ser lido nas entrelinhas. Na astrologia islâmica, com sua leitura dos astros e dos djinns, tem-se um antídoto espiritual ao desânimo pernambucano. Assim como o Anel de Salomão simboliza o poder de domar as forças invisíveis, vislumbro um Sport Clube do Recife que incorpore a estrela de oito pontas em seu corpo estético, um estilismo ‘cangaceiro superior’ capaz de afastar as energias negativas. Ao final pelo menos, escapar da mesma humilhação que Ali sofreu em seu tempo de morte.
O ESPANTALHO
Uma vez, eu disse a um espantalho: "Deves estar cansado de permanecer aí nesse campo solitário."E êle respondeu: "O prazer de espantar é pro-fundo e duradouro, e jamais dêle me canso."
Depois de um minuto de reflexão, eu disse: "Isso é verdade; pois eu mesmo já conheci êsse prazer."
Ele respondeu: "Só podem conhecê-lo aquêles que estão cheios de palha."
Depois, deixei-o, sem saber se me elogiara ou injuriara.
Passou-se um ano, durante o qual o espantalho se tornou um filósofo.
E quando passei novamente perto dêle, vi dois corvos fazendo ninho debaixo de seu chapéu. (Gibran)
At.te,
Afonso Conceição Lima

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