quinta-feira, 20 de março de 2025

Devaneios de Sacada

 Memórias de Infância

    Retorno ao meu papel branco que denominei este quadro, vivendo dentro deste blog que caminha entre o vivo e o morto. Volta aqui a escrever depois de um tempo onde fora dominado pelas forças da dopamina, estou tentando livrar delas gradualmente, até o momento podemos considerar ser um sucesso. Infelizmente pelas minhas obrigatoriedades de pesquisa na instituição em que atuo não pude finalizar a leitura do livro "Água Viva" de Clarice Lispector, mas novamente escrevo sobre pequenos fragmentos que esta obra me faz refletir. A bola da vez se trata desta simples frase:

"Quero na música e no que te escrevo e no que te pinto, quero traços geométricos que se cruzam no ar e formam uma desarmonia que eu entendo" Pág.54   
 
    Uma pequena e simples frase mas que me trás diversas e extensas memórias do meu tempo de colégio e ensino primário, estudava em um colégio particular nesta grande capital em que sobrevivo, rodeado por colegas de classes e rendas superiores a mim, mas nunca me sentira deslocado, nem mesmo amedrontado, sempre soube das minhas capacidades e da minha identidade e formação cultural. O medo da ansiedade de jovem veio mais ao entardecer das flores, uma discussão para outra ocasião. Retomando o caminhar, me lembro das aulas de artes e quando a professora que obviamente não me recordo o nome, mas possuía cabelos pretos e baixa estatura, pedia para pintarmos em um papel em branco algo desejado por nossa intimidade e constantemente me vinha a mente retas e quadrados que se encontravam, achava fascinante diferentes caminhos se encontrando e criando novas formas simultaneamente.
   O frescor do inesperado, do inovador e do desconhecido me rodeavam e me alucinavam constantemente, não é atoa este blog goza e se deleita de perpetuar as habilidades de Garrincha e daqueles que defendem um esporte/futebol espontâneo e livre, meu próprio ser-infanto entendia parcialmente este conceito, não sei de onde deriva este meu desejo, mas provavelmente das minhas relações parentais. Estas junções de diferentes árvores genealógicas também me construíram ser quem eu sou, e assim sendo, continuo desenhando linhas que se cruzam ao som de Ornette Coleman e McCoy Tyner. Espero um dia poder entender a harmonia das desarmonias completamente.

Att,
Afonso Conceição Lima
    
    

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